sábado, 28 de fevereiro de 2004

A puta que nos há-de parar!

"Admitamos que a literatura começa no momento em que a literatura se transforma numa questão. Esta questão não se confunde com as dúvidas ou escrúpulos do escritor. "...

Blanchot, Maurice, para quem não lê; não tarda nada e dizem que queremos escrever, those bastards!

um/a mocinha solteira

nada melhor

achou-me, sem querer, e mesmo assim chamou-me uma espécie de anticristico - não percebeu nada. Mas pelo menos casou e já não escreve só no DN Jovem... Não falemos dos montes de genialidade. Absolutamente. Ressentimentos, só e no fim da jogata...

Sossegue, minha amiga. Ou, como diria Agostinho "O mau-gosto não é exclusivo das zebras...", (Confissões, V, 69a)

um pouco de política?

nem por isso.

ouve-se marla glenn como quem cospe na calçada portuguesa por mim caguei, uma coisa interessante de se fazer, desde que com geito. amigos nossos criticam. foda-se, essa merda não se diz 'tás armado em defunto Pipis "just believe you can't forget us...", um gajo responde que quer que o senhorito se foda, mas ninguém ouve, nem houve, orelhas môcas. que se foda
...
etc
...
a burguesia é sempre a mesma trampa.
Deus proteja a burguesia!!!
...
o resto é luta de klasses
só tangas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

Ah, já me esquecia...

uma sugestão de amiga:

http://www.realdoll.com/

e nada de piadas misóginas...

e a tradução ressurgiu, Bernhard no seu melhor...

"A única coisa que nos salva é que não temos de morrer de fome."

As boas novas reduzirão mesmo a inveja?

Mesmo da miséria?
Dá-me ideia que sim.
...
e a panóplia fenomenológica e afim...

"...que leva de cada vez a cabo uma inquirição de identidade, desde sempre grande motivo de escárnio e de escândalo. Com efeito, só se pode amar aquilo que não se possui. A imoderação própria da actividade filosófica tem a ver com a natureza do amor." (MFM, depois conto, lol)

Boas novas, evangelhos, no fundo

Fumar prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam, mas afasta definitivamente alguns daqueles que odeia mesmo sem dar por isso. Depois aprofundo.

3 anos - agora foi-se?

"Quando um gajo começa a não ver nada, o que é que vê? Não vê um boi, um cascalho de um labirinto? Que sorte do cagalhão!... Talvez um burro ibérico, um toureado manso e sem bigode, só com as orelhas bravas de carregar tantos outros, como se fossem ele nas suas costas. Um amansador de cavalos de raça, basicamente, um pregador!"

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

cantas bem, mas...

prefiro comer-te os ovos, pensou a raposa vermelha, banqueteando-se.
E ainda dizem que não há poetry in action...

where the domestic dog come from?

ora aí está uma pergunta cínica, inteligente e para inteligentes.
not for commun dogs...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

o blogue é meu

outro título & chove.

sempre na direcção contrária

um agradecimento é o que é.
nem toda a gente pode ser panasca, um Gottes willen!
leiam
os rôto-blogues...
ou então finjam que são
a namorada
do
mete dó
...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2004

a contabilidade ontológica de uns dias

o tempo
pensava outra vez entre duas cagadas pela manhã
a vida, a duração
e não se perdoe o prosaísmo
tudo isto (que é o mesmo) é emprestado.
quem determinará a usura?

big fish

poderá a realidade ser mais autêntica?
e se puder, o que é que isso nos interessa, qual é o ganho de sentido para o desvario?
pensava hoje de manhã em certas impossibilidades de exactidão.
uma delas rezava: é possível fazer melhor? depende.
se a questão for: 2 + 2 quantos são e se se responder 4, é possível fazer melhor?

domingo, 22 de fevereiro de 2004

e perante isto...

não há Walter Benjamin que lhes valha!
ou
queremos que se foda Babel!

sábado, 21 de fevereiro de 2004

um exemplo, de Pound...

não tenho um século e pico de tradição quaker na minha família para não me preocupar com qualquer coisa que pareça contrária à paz.

se a isso juntássemos (nesta bela noite)

a péssima edição de ESTA É A VOZ DA EUROPA, ficávamos com o quê? uma rua com cara de cu a falar sozinha? keine Ahnung!

a tradução foi com as pérolas

e os porcos não gostaram.

um modo de dizer que finalmente visionei NAKED LUNCH.

FODA-SE!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

Só um cheirinho. Para entrada...

Nunca sabemos quem somos. São os outros que nos dizem quem somos e o que somos, não? E como ouvimos isto milhões de vezes na nossa vida, por pouco que esta seja longa, acabamos por não saber em absoluto quem somos. Todos dizem algo diferente. Até nós mesmos estamos sempre a mudar de opinião.

depois haverá mais. do mesmo.


Thomas Bernhard Posted by Hello

Creio que há-de denominar-se

De catástrofe em catástrofe

De uma catástrofe para outra

fica prometida a tradução da entrevista exclusiva de Bernhard à bórliu...

fora de supersticiões...

nunca cuspam para o ar! - nem pontuem com exclamações!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

O vento que tarda?

Ruah... ou outra coisa para além do pó e ventania.

Ohne Warum, pois claro. & fica prometida a tradução por cumprir e a mentira de um abraço... a manhã.

Ohne warum

Die Ros'ist ohn' Warum, sie blühet weil sie blühet,
Sie acht't nicht ihrer selbst, fragt nicht, ob man sie siehet.

Angelus

Das Wort wird noch geboren

Führwahr, das ew'ge Wort wird heute noch geboren;
Wo da? Da, wo du dich in dir hast selbst verloren.

Silesius

Hinein kehr deine Strahlen

Ach, kehrt nur meine Seel' ihr Flammen um und ein,
So wird sie mit dem Blitz bald Blitz und eines sein.

se eu fosse um dia ....

de INEM para casa, o que é que fazia a seguir?

sentimentalismos...

Eu quem sou?
Quando ponho de parte os meus artifícios e arrumo a um canto, com cuidado cheio de carinho - com vontade de lhes dar beijos - os meus brinquedos, as palavras, as imagens, as frases - fico tão pequeno e inofensivo, tão só num quarto tão grande e tão triste, tão profundamente triste!...
Afinal eu quem sou, quando não brinco? Um pobre orfão abandonado nas ruas das sensações, tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da Tristeza e comer o pão dado da Fantasia.


Bernardo Soares, in Livro do Desassossego

esta vale mesmo a pena...

http://dwd.hu/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

aproveito para cOmprimentar todo o painel... e temos Que respeitar todos os ali(en)ados...

e debrucei-me sobre esta matéria...

Terça-feira, Fevereiro 10, 2004
Pois é amigos demorou mas é hoje o grande dia. O dia de uma nova era. A era de uma nova maneira de estar e pensar. Escrito as 4 mãos no meu caso a 8 dedos este blog pretende ser uma coisa nova. Dificil ??? Sim deveras. Por norma não leio os blogs de outros personagens nem quero ler. Não queremos fama e glória porque já habitamos um mundo cheio de merda aristocrática agarrada a pergaminhos de carácter relegioso e a padrões socialmente aceites por energúmenos que nos regem. Para todos o meu bem-haja e que se fodam todos. Desculpem o meu desagrado mas esta nota de apresentação serve para vos avisar que bolinha no canto superior direito não existe. Mas existem outras coisam... estejam atentos.. agora é a doer.Quem tiver tomates que se aguente quem não os tiver que os compre...a Arcadobué é para quem tiver pedigripé...

// posted by A @ 10:35 PM

Post scriptum - caguei por tão pouco. Um Grande bem-fodam-se!!!

domingo, 8 de fevereiro de 2004

e um novo blog que se saúda!

é, de facto, bué... quanto a foder... quem está no convento...

http://www.arcadobue.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

querias roubar uma coisa mas não consegues?

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
CADA CONA É COMO É
Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho. Erro porque, a berlaitadas tantas, em vez de olhar para as minhas caretas, vislumbrei a minha parceira. Assustei-me e pensei: “Ó Pipi, o que é isto, pá? Então tu estás a partir esta sopeira à canzana ou ela está-te a fazer um broche?” Não, era mesmo uma canzana. Ela tinha era cara de cu.
Este facto fez-me levantar uma questão – e, por momentos, baixar a pichota.
Porque é que eu, Pipi, teimo em tentar sacar gajas feias, gajas gordas, Odete Santos, gajas com problemas de pele, gajas com queda de cabelo?
Reflecti sobre isto e cheguei à conclusão que é o resultado imediato de ser um curioso da foda. Para mim, cada cona tem o seu encanto. Um encanto único, especial. E eu quero conhecê-lo a todas.
Normalmente, aferimos, à primeira vista qual a principal qualidade fodenga da gaja: se é gira, se tem boas tetas, rabo rijo, pernas elásticas para pôr atrás das orelhas, odor agradável. Ou seja, o aspecto físico da gaja é o seu encanto. Nessas não há mistério
Mas, como disse, cada cona tem o seu encanto próprio. Por isso, uma gaja feia e gorda intriga-me. Partindo do princípio pipiano de que cada gaja tem em si o potencial para ser um dínamo de tesão, onde é que o Criador terá colocado o encanto desta puta? O que é que o Gajo terá escondido no meio desta chincha toda? E, de repente, vejo-me a jogar ao “quente e frio” com Deus. Estou a dar por trás à feia e parece que O ouço dizer “morno, Pipi, morno”. Mudo a piça de buraco e já Ele me incentiva: “a aquecer, Pipi!”.
Pode ser um movimento original, uma pachacha musculada, uma capacidade de sucção alienígena. Pode ser uma amplitude inaudita, uma noção de ritmo africana, uma luxação auto-infligida que cria um novo buraco para enfiar o nabo. Qualquer coisa de único.
Claro que, normalmente, não é nada disto, e a verruga no nariz é mesmo o traço mais característico da crica em questão.
Mas vocês conhecem-me e sabem que eu sou um romântico do pinanço. Um romântico do pinanço que acha que em cada pito por conhecer há uma promessa de perfeição única e misteriosa a realizar. E uma racha apertada para foder, claro.
---
p.s. - salvo seja, já meti recurso!

terça-feira, 27 de janeiro de 2004

a indignação chegou à chamada blogosfera

esse não-local onde supostamente ou nem por isso nunca deveria ter chegado, muito menos através da exploração da mais barata das situações, o futebol, a morte e os seus trabalhos...

displasia canídea

the last dog ballad

alguém me explica o que é a puta da displasia???

domingo, 25 de janeiro de 2004

cinzas...

cinzas e palavras alheias que fazemos nossas, pouca coisa para quem tem de regressar ao puro explendor de coisa nenhuma. cinzas...

um domingo com cristo e strindberg

"O inferno? Fui educado no mais profundo desprezo pelo inferno. Ensinaram-me que não passava de fantasia a rejeitar para a lista dos preconceitos. A verdade, porém, é que não posso negar a novidade que agora encontro na interpretação das penas ditas eternas. Já nos encontramos no inferno. A terra é o inferno, prisão construída por uma inteligência superior, de forma tal que não podemos dar um passo sem ferir a felicidade alheia e os outros não podem ser felizes sem nos fazer sofrer..." August Strindberg

sexta-feira, 23 de janeiro de 2004

cuidado com as fobias neste blogue, hummm???!!!

only the best, ou o Antes de Cristo feito pelos seus ouvintes. Atentai! (first version, again)

(um extractum)
...

Os cigarros, sempre a merda dos cigarros. Se um gajo tem tabaco e não dá, é logo paneleiro; se um gajo já só tem poucos e não lhe pedem com bons modos (e, ainda por cima, não forem as gajas a pedir), e der, ou espetar mesmo, um prego ao primeiro bacano que o interpele, salvo seja, transforma-se imediatamente em quê? Languaje difficults... (atribuído ao Herr von Wittgenstein.)

...

sem assunto

pergunta o pai ao filho:
se não fosses comunista
gostavas de ser
ciclista,

ou quê?

...


quarta-feira, 14 de janeiro de 2004

domingo, 11 de janeiro de 2004

moribundo - este blog?

no passado domingo pré-urbano de lisboa, o que é um nativo de campolide em fato-de-treino que, ao dividir um magnum com a pijama-metade na Pastorinha, em cada duas palavras, três são meu amor?

se alguém conhecer a resposta... guardem-na!

domingo, 4 de janeiro de 2004

uh uh uh uh...

und so fort!cansaço, só isso. nota-se muito?

respostas inesperadas para

aunidadeimpropria@hotmail.com

bigados!

& agora um grande foda-se e um pequeno grande roubo I

Sábado, Janeiro 03, 2004
Posted 5:11 AM by masson

In Memoriam Eduardo Guerra Carneiro [1942-2003]

[Via Aviz] "ADEUS. Morreu Eduardo Guerra Carneiro. Era um bom poeta, esquecido por todos nós, e um jornalista esquecido pelos jornais. Morava no mesmo prédio onde viveu Agostinho da Silva, ao Bairro Alto. Escrevia em caderninhos lisos e tinha canetas de tinta permanente. Gostou muito. Foi muito amado. Tinha um brilho nos olhos que se foi perdendo à medida que ia envelhecendo, mas nunca foi um ressentido. Bebeu muito. Leu bastante. Escreveu o suficiente. Alguns livros: Isto Anda Tudo Ligado, Como Quem Não Quer a Coisa, É Assim que se Faz a História, Contra a Corrente, Lixo ou Dama de Copas. Era boémio, mas não era da boémia. Sentava-se ao fundo dos bares caboverdianos. Gostava de mornas, da sua terra do Norte (Chaves), dos salgueiros ao longo da estrada nacional n.º 2, dos choupos do Douro e de poetas que sabiam calar-se. Uma pessoa escreve «era um bom poeta» e sente que alguém desconfia, como se fossem bons todos os poetas que desaparecem. Não. Ele era um bom poeta que raramente ficava contente com os seus livros. Não se dava muita importância. Brigou muito. Tinha bom feitio. Tinha mau feitio. Tennyson repetiria: «O selfless man and stainless gentleman.» Bebia cerveja. Acho que bebia tudo. Tinha uma bela voz. Eduardo." [Francisco José Viegas, in Aviz]

"O Eduardo nasceu em Chaves, em 42. Depois foi à vida: perdeu-se um vossa excelência (4º ano incompletíssimo de história), ganhou-se um poeta (...) Livros, amores, deambulações, vagabundagens, cervejolas, empregos vários, carolices (o & etc agradece, no que lhe toca): uma generosidade (arrebatada, lírica, desmedida) que lhe alimenta a poesia (dor mais funda, alegria em sol maior) e lhe dá cabo da gravata. Assim o Eduardo é um poeta visceral. Talvez que já não saiba (nem possa) ser outra coisa) ..." [in & etc, nº 9, 15/05/1973]

"O desafio, afinal tão simples!, de prosseguir um texto, vendo bem perseguir, conseguir mesmo despir-me das pequenas e grandes vaidades, como já foi dito. Dizias: o texto. Eu pensava na intriga a construir, nos antigos manuscritos onde se falava de música, sinfonia, órgão, retábulos de igreja, o que se liga à então recente leitura de qualquer clássico. Órgãos do prazer: funções vitais em totalidade. Procuro a linha enredada na complicada teia de aranha que em volta de mim próprio enlacei: aqui está a razão do desafio; os nós a desfazer; a pontuação a assinalar um modo de avançar «todo» sem receio mais que o discurso baço, vago, maricas afinal (...)
Daí, daqui: os textos que perseguem e rasgam o próprio ventre para nascerem pelas suas próprias mãozinhas: impressão digital marcada a sangue. Direi. Um corpo em movimento; a infância da invenção; o salto mortal da literatura; a destruição (corrosão) dos vocábulos ..." [E.G.C., Uma Teoria (da) Prática, in & etc, nº 9, 15/05/1973]

"Algumas palavras são mais que o som.
Soltam-se delas lâmpadas, por vezes gritos.
Palavras que demoram na boca
com o sabor da manhã de Outubro, o claro gosto
da terra húmida, castanha até doer
..." [E.G.C., Zero, O Perfil da Estatua, 1961]

"Estamos no extremo ocidental de uma Europa gangrenada que teima ainda em conservar limpos os punhos e o colarinho, embora tenha podres nas meias e as cuecas estejam borradas de medo antigo, caca seca, agarrada aos Pirinéus, a montecarlos, montecassinos, urais ou andorras do báltico.
Estamos e continuaremos a estar até que a bomba rebente nos nossos tomates inchados, na goteira do sexo, nas moscas que teimam em disputar-nos a cerveja, nas putas que envolvem em dança os cromados dos bares de hotéis de gare. Poârto ou Parises; Tomar ou Bruxelas; Leiria ou Malmo: a mesma merda.
Estamos quase a rebentar as costuras deste maldito soutien com que nos apertam as mamas da invenção; quase a rebentar as cuecas com que nos espartilham os caralhos da revolta. De pé, ó vítimas da Europa decadente! Nuzinhos até Trancoso! Com pezinhos de lã até Almeida!.
Avançar assim, descobrindo novo discurso, importante porque me importa, também me faz bem, talvez te ajude, vos ajude, ajude afinal a acender o rastilho que vai fazer rebentar a bomba ..." [E.G.C., À Luz de Novembro, in Como Quem Não Quer a Coisa, & etc, 1978]

Algumas Obras: O Perfil da Estátua, Silex, 1961 / Corpo Terra, Ed. Autor, 1965 / Alguma Palavras, Nova Realidade, 1969 / Isto Anda Tudo Ligado, Cadernos Pensinsulares, 1970 / É Assim Que se Faz a História, Assírio & Alvim, 1973 / Como Não Quer a Coisa, & Etc, 1978 / Dama de Copas, & Etc, 1981 / Profissão de Fé, Quetzal, 1990 / Lixo, & Etc, 1993 / O Revólver do Repórter, Teorema, 1994 / Outras Fitas, Teorema, 1999 / A Noiva das Astúrias, & Etc, 2001

quarta-feira, 31 de dezembro de 2003

& nunca esquecer que em 2004

cristo ainda está quases por desmamar
e a blasfémia foi mesmo sem querer
só assim
lux fiat - saab!
love shack baby!!!
toca a mexer esses
rabinhos!

bang... bang.. bang...

love shack - B52's
&
bom ano de sempre!

a quem não percebeu...

o meu grande bem-haja outra vez
& fica para a próxima
...
nem toda a malta pode ser genial
ou sofrer disso.

amores

não temos, mas...
o cosmopolitismo é bem-vindo
mesmo que seja do estrangeiro
da suburbia...

ódios 2003

todos os possíveis e imaginários
tudo o que vem do norte
sobretudo
pretensão
&
água benta...

depois dos simples e para os simples

longa vida aos snobs...
&
um infeliz 2008!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

antes de cristo

& apesar da parangona/notícia do pasquim, não havia natal tal como o celebramos, agora é o que se vê... e nem vale a pena comentar, mas...
goste-se ou não - como será sempre o caso - da coisa-natalícia, desejo-vos
um (e porque não dois ou três?)
BOM NATAL!

especial de natal - as promised

especial de natal

domingo, 21 de dezembro de 2003

e cada vez

nos admiramos (plural majestático)
mais
com muito menos

zzzzzzzzzzzzz

nem uma abelha bule
nem um poeta canta

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

acerca da morte feliz

só conheço Camus.

menuetto...

quartett D 18
lá...lá...lá...
no tempo em que havia
música.

thank's
franz

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

quinta-feira, 27 de novembro de 2003

pq tem de ser possível fazer

cultura
fora
de qualquer sociedade'

a antiga faculdade exercitada

de ler
nas entranhas
do I prolongado

por falar em nomes de Blogg

e se antes de cristo já houvesse Astrologia?

Cf. o início do Livro II de

De natura rerum, de Lucrécio:
"É doce assistir da terra às rudes provações dos outros quando sobre o largo oceano os ventos perpassam sobre as ondas; ...", fica a promessa de uma tradução melhor...

para renunciar a um oceano

de penitentes poetas-rakê
algum
leverek...

mais uma ameaça de morte

nunca desprezível
o tempo
suficiente

para quando uma ataraxia do putedo

fica
a dívida

quinta-feira, 20 de novembro de 2003

E não se olvidem da solidariedade...

pelo menos com os escritores portugueses residentes em Istambul!
Pauleta, se precisares de uma Bic normal, estás à vontade!
Nunca te esqueças.

Boa Noite Portugueses, Guineenses, Angolanos, Cabo-Verdianos, etc., e malta do Leste em geral

e um grande abraço aos compatriotas da Transilvânia! A todos, o meu enternecido e imenso Bem Hajam!
Boa Noite!

Que se f... as notícias!

Quando os chamados noticiários tratam deste tipo de merda, queiram desculpar ou não a puta da expressão, quem é que se atreve a palrar em casa? & Viva a Blogosfera! - pelo menos enquanto as esposas colocam os pratos na máquina...

Não havia precisão...

Fogareiros não pagam impostos e ameaçam com paralisação...
Mandado de captura contra (?) Michael Jackson...
Estou obcecada com o défice, anónimo...
Pregos, correntes e cadeados nas portas da Universidade de Coimbra..., no comments... (O estranho caso do Braço de Ferro...)
und so fort.
Bernhard, volta que estás perdoado!

"É meio dia, dia de feira...

mensal em Vila Nogueira...
será o Apocalipse, ou a torneira a pingar
no bidé?...", José Afonso

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

Ao acordar...

num país de (cada vez mais) desempregados, a quantidade de coisas que é possível ser, além de poeta, claro!

Novidades:

.Empregado de Armazém, Lisboa
2003/11/19

.Promotores / Vendedores p/ Banca, Lisboa / margem Sul
2003/11/18

.Administrativo/a de Contabilidade, Lisboa / Montijo
2003/11/18

.Delegado Comercial, Sul
2003/11/18

.Vendedor Comissionista, Centro; Lisboa
2003/11/18

.Gerente m/f, Coimbra / Linda-a-Velha
2003/11/18

.Telefonista Controlo de Qualidade, Lisboa / São João da Talha
2003/11/18

.Negócio pela Internet, Açores; Madeira; Portugal / Ilhas
2003/11/18

.Assistentes de Bordo / Hospedeiras, Qualquer Zona Portugal
2003/11/17

etc.

terça-feira, 18 de novembro de 2003

A carteira

Se ao menos tocasse duas (2) vezes
suspiras.

Não, uma mulher não chora!

Os monjes (Haiku)

de Aulin
de Lucky Me

de pobre de mim

sempre
contra as tartarugas ginja.

Lucy in the Sky with... ginja

... as que caem ao chão, são as melhores!, pensou ele.
Sem querer.

segunda-feira, 17 de novembro de 2003

Nick Cave and The Bad Seeds. Um lamento que não seja assim.

Into My Arms

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candles burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

A clareza do engano § 1 A Co-incidência, ou, O Enigma da Dupla-penetração?

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Espero ter sido claro, reticências.

Ah, a clareza, essa cartesiana meretriz, essa grandessíssima andorinha!, fosse eu poeta a exclamaria, pensou A., talvez nesse reyno fosse possível viver sem madrepérolas, procurando tão somente afastar do corpo as últimas penas.

Ou

o recurso à narrativa, a prosa.

O problema do título. Máximas & Reflexões?

"A mão trai sem pudor o que se sente de mais íntimo."

24 Horas na Vida de uma Mulher, Stefan Zweig

Qual CPLP??? Então e a tradição oral portuguesa?

Epí­stola a todos os Volksgenossen interessados em aprender Alemão... (Trata-se, em bom rigor, de uma primeira aula de Alemão. Gratuita, claro.)

Como é do comum conhecimento dos nossos concidadãos, sobretudo dos nossos (salvo seja) licenciados em doutores, a lí­ngua alemã é relativamente fácil. Quem está familiarizado com o Latim, esse grandiloquente idioma menos vivo, está com toda a certeza habituado às chamadas declinações e, por isso mesmo, pode aprendê-la sem grande dificuldade - pelo menos, é o que os professores de Alemão dizem nas primeiras aulas.
Mais tarde, quando começamos (quem?) a estudar (!!!) os der, des, den, dem, die, eles dizem que é facílimo: é tudo uma simples questão de lógica. Na realidade é muito simples! Podemos verificar (do francês, constater... ) isso mesmo no exemplo que passamos a examinar.
Tomemos um honesto e nem por isso menos honrado livro alemão: um volume magnífico, encadernado em couro-de-lei e a custo publicado, ao que parece, em Dortmund, que descreve os usos e costumes dos Í­ndios (???) australianos hotentotes (Hottentotten). O livro ensina-nos que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter), cobertas por um tecido (Lattengitter), para abrigá-los do mau tempo (Wetter). Essas jaulas denominam-se, auf Deutsch!, claro, Lattengitterkotter (qualquer coisa como "jaulas cobertas de tecido"). Porém, assim que colocam lá dentro um canguru, este passa a ser muito mais conhecido por Lattengitterkotterbeutelratten (por assim dizer, "o canguru da jaula coberta de tecido").
O que sucede é que um dia os Hotentotes capturaram um assassino (Attentäter) indiciado (vulgo, acusado) por ter esfaqueado várias vezes uma mãe, a dele, (seine Mutter) hotentote (Hottentottermutter), que tinha um filho completamente idiota e, infelizmente, gago (Stottertrottel).
Naquele que foi e é, ao fim e ao cabo, o idioma de Goethe, essa pobre mãe não é conhecida por nada menos que Hottentottenstottertrottelmutter.
Já o seu presumí­vel até prova de contrário assassino é, talvez, mais sacrificado ainda com a mera designação de Hottentottenstottertrottelmutterattentäter.
O livro conta que os Hotentotes conseguiram finalmente capturá-lo e, sem terem onde nem como guardá-lo, acabram por encerrá-lo, preventivamente claro, numa gaiola de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter, lembram-se?), mas o prisioneiro escapou. Mal haviam começado as buscas, quando surgiu um guerreiro hotentote, aos gritinhos estridentes:
- Capturei o assassino! (Attentäter).
- Sim? Qual?, perguntou o chefe.
- O Lattengitterkotterbeutelratterattentäter!, respondeu o guerreiro.
- Como?!? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tecido?, perguntou o chefe dos Hotentotes.
- É, sim,é o Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (o assassino da mãe hotentote de um menino tonto e gago), respondeu o nativo.
- Que grande perda de tempo!, disse o chefe. Afinal, já podias e devias ter dito que tinhas capturado o Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter.

Como é bom de ver, o Alemão é o idioma do futuro. Basta a gente ter vontade de poder... Ou, então, jeito para as Conversas em Família...
Boa Noite, Portugueses!

domingo, 16 de novembro de 2003

sexta-feira, 14 de novembro de 2003

Mais memória VIII (também é cultura, estúpidos!)

MAUVAIS TRIP

AVEZ-VOUS remarqué que le LSD et la télé en couleurs sont arrivés sur le marché à la même époque? Toutes ces inventions nous matraquent, et que faisons-nous? On interdit le LSD et on fait de la télé merdeuse. La télé, c'est évident, est sabotée par tous ceux qui en font aujourd'hui. Ça ne se discute même pas. J'ai lu récemment qu'au cours d'une descente un inspecteur aurait reçu une bonbonne d'acide qu'un soi-disant fabricant de drogue hallucinogène lui aurait balancée à la figure. Encore un exemple de gâchis! Il y a de bonnes raisons d'interdire le LSD, le DMT, le STP, on peut bousiller définitivement sa tête avec, mais pas plus qu'au ramassage des betteraves ou en bossant à la chaîne chez General Motors, en faisant la plonge ou en enseignant l'anglais dans une fac. Si on interdisait tout ce qui nous rend dingues, toute la société y passerait: le mariage, la guerre, le métro, les abattoirs, les clapiers, les tables d'opération, etc. Tout peut virtuellement nous faire craquer parce que la société repose sur des piliers pourris. D'ici à ce qu'on lui botte le cul et qu'on reparte à zéro, il y a encore du beau temps pour les asiles! Et la réduction du budget des asiles par notre cher gouverneur signifie, à mes yeux, que la société se débarrasse de ceux qu'elle a rendus fous, spécialement en période d'inflation et de déficit de la balance commerciale. On ferait mieux de dépenser notre fric à construire des routes ou bien à arroser les nègres pour les retenir de brûler nos villes. J'ai une idée: pourquoi ne pas massacrer les fous? Pensez à toutes les économies. Ça mange, un fou, il lui faut un trou pour dormir, et puis ces ordures m'ecœurent avec leur manie de pleurnicher, d'étaler leur merde sur les murs. Tout ce dont on a besoin, c'est d'une petite équipe de médecins pour décider qui est fou et d'une paire d'infirmières (ou d'infirmiers) pour baiser avec les psyquiatres.
Reparlons du LSD. S'il est vrai que moins tu en fourgues plus c'est risqué, on peut dire aussi que plus tu en prends plus c'est risqué. Toute activité créatrice complexe, comme la peinture, la poésie, le braquage de banques, la prise du pouvoir, te mène au point où le miracle et le danger se ressemblent comme des frères siamois. Ça ne marche pas toujours comme sur des roulettes, mais quand ça marche, la vie vaut vraiment le coup. C'est chouette de coucher avec la femme d'autrui mais tu sais qu'un jour tu te feras prendre les fesses à l'air. Ça donne du piquant à l'action. Avec les péchés que fabrique le ciel nous nous construisons un enfer, dont nous avons un réel besoin. Deviens fortiche dans ton truc et tu auras des ennemis. On tire la langue aux champions; la foule brûle de les voir ramper, ça la ramène dans sa merde. On n'assassine pas tellement les pauvres types; un gagneur risque d'être descendu avec un fusil acheté par correspondance (comme le veut la légende), ou avec sa propre carabine dans un bled appelé Ketchum. Ou comme Adolphe et sa pute : la chute de Berlin à la dernière page du roman.
Le LSD peut te démolir aussi parce que ça n'est pas vraiment fait pour les ringards. D'accord, un mauvais trip épuise comme une mauvaise pute. La baignoire pleine de gin et le whisky de contrebande ont déjà eu leur heure de gloire. La loi sécrète une maladie : le marché noir du poison. Mais, au fond, la plupart des mauvais trips viennent de ce que l'individu est empoisonné d'avance par la société. Quand un homme s'angoisse pour son loyer, les traites de sa voiture, le réveille-matin, l'éducation du gosse, un dîner à dix dollars avec sa petite amie, l'opinion du voisin, le prestige du drapeau ou les malheurs de Brenda Starr, une pilule de LSD a toutes les chances de le rendre fou parce qu'il est déjà fou en un sens, écrabouillé par les interdits sociaux et rendu inapte à toute réflexion personnelle. L'acide ne vaut que pour les hommes qu'on n'a pas encore engagés, qu'on n'a pas encore enculés avec la grande Peur qui fait marcher tout le système. Malheureusement, la plupart des gens se croient plus libres qu'ils ne sont, et la génération hippie se trompe quand elle décide de ne pas faire confiance aux plus de trente ans. Trente ans, ça ne veut rien dire. La plupart des gens se font coincer et mouler, en bloc, dès l'âge de sept ou huit ans. Beaucoup de jeunes ont l'AIR libre, mais ce n'est qu'une chimie des cellules, de l'énergie, pas un fait de l'esprit. J'ai rencontré des hommes libres dans les endroits les plus bizarres et de TOUS les âges, des portiers de nuit, des voleurs de voitures, des laveurs de voitures, et quelques femmes libres aussi, surtout des infirmières ou des entraîneuses. Un être libre, c'est rare, mais tu le repères tout de suite, d'abord parce que tu te sens bien, très bien, quand tu es avec lui.
Un trip au LSD te fait voir des choses qui échappent aux règlements. Ça te fait piger des trucs qui ne sont pas dans les manuels et dont tu ne peux pas te plaindre à ton conseiller municipal. L'herbe ne fait que rendre la société actuelle plus supportable; le LSD est déjà en soi une autre société.
Si tu respectes la loi, rien ne t'empêche d'étiqueter le LSD comme «drogue hallucinogène», ce qui est un moyen facile de s'en tirer et de ne pas poser de questions. Mais l'hallucination, d'après le dictionnaire, dépend de l'endroit d'où tu agis. Tout ce qui t'arrive au moment où ça t'arrive au moment où ça t'arrive devient la réalité, que ce soit un film ou un rêve, baiser ou tuer, être tué ou manger un ice-cream. Les mensonges viennent après; ce qui doit arriver arrive. L'hallucination, ce n'est qu'un mot dans le dictionnaire. Pour un homme qui meurt, la mort est toute la réalité; pour les autres, ce n'est que de la malchance ou un mauvais moment à passer.
Forest Lawn s'occupe de tout. Quand on admettra qu'il faut de TOUT pour faire le monde, alors on aura une chance. Tout ce qu'un homme voit existe. Ca ne vient pas d'une force étrangère et c'était là avant sa naissance. Ne lui reproche pas de le découvrir aujourd'hui, et ne lui reproche pas de devenir fou parce qu'on ne lui a pas appris que l'aventure est sans fin et que nous sommes tous des petits paquets de merde et rien d'autre. Le mauvais trip ne vient pas du LSD, mais de ta mère, du Président, de la petite fille d'en face, des vendeurs d'ice-creams aux mains sales, d'un cours d'algèbre ou d'espagnol obligatoire, ça vient d'une odeur de chiottes en 1926, d'un type avec un long nez quand tu croyais que les longs nez étaient laids, ça vient d'un laxatif, de la brigade Abraham Lincoln, des sucettes ou de Bugs Bunny, ça vient de la tête de Roosevelt, d'un verre de vinaigre, de passer dix ans dans une usine et te faire virer parce que tu as cinq minutes de retard, ça vient de la vieille outre qui t'a appris l'histoire de ton pays en sixième, de ton chien qui s'est perdu sans que personne ne t'aide à le retrouver, ça vient d'une liste longue de trente pages et haute de cinq kilomètres.
Un mauvais trip? Ce pays tout entier, cette planète est dans un mauvais trip, l'ami. Mais on t'arrêtera si tu avales une pilule.
Je reste fidèle à la bière parce que, au fond, à quarante-sept ans, ils m'ont bien harponné. Je serais pour le coup un vrai dingue si je croyais avoir échappé à tous leurs filets. Je crois que Jeffers le dit joliment bien quand il dit, en gros, attention aux pièges à con, l'ami, il y en a partout, il paraît que même Dieu y est tombé quand Il a débarqué sur la Terre.
Certes, nous sommes désormais quelques-uns à penser que ce n'était pas forcément Dieu qui débarquait, mais, qui que ce fût, il connaissait de sacrés bons coups. Nous avons seulement l'impression qu'il parlait trop. Ça arrive à tout le monde. Même à Leary. Ou à moi.
On est aujourd'hui samedi, il fait froid et le soleil va se coucher. Que faire l'après-midi? Si j'était Liza, je me peignerais les cheveux mais je ne suis pas Liza. Bon, j'ai un vieux National Geographic et les pages brillent comme des vrais paysages. Evidemment, ce sont des faux. Autour de moi dans l'immeuble, ils sont tous soûls. Une pleine termitière de pochards. Les dames passent sous ma fenêtre. Je pète, je murmure un «merde» tendre et fatigué, puis j'arrache cette page de ma machine. Elle est à toi.


Charles Bukowski, Hank, San Francisco, 1967-1972, Erections, ejaculations, exhibitions and general tales of ordinary madness, no original. Aqui Grasset 1982, Nouveaux contes de la folie ordinaire, pp. 135-139.

Mais memória VII (shakespeareana)

Thus play, I, in one person, many people,
And none contented: sometimes am I a king
Then treason makes me wish myself a beggar,
And so am I; then crushing penury
Persuades me I was better when a king,
Then I am king’d again and by and by -
Think that I am unking’d by Bolinbroke
And straight am nothing; - but whate’er I am
Nor I nor any man that but man is,
With nothing shall be pleas’d till he be eas’d
With being nothing.


Shakespeare, Richard II, V, v.

Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.


Shakespeare, Macbeth, V, 5, v. 24-28)

Mais memória VI (teologico-linguística...)

A acedia é uma tristeza que emudece.

S. Tomás, S.T., Iº, IIº. Art. 8

Quando ela leva a que se "fuja" e "deteste" o "Bem Divino", é definida como um pecado mortal.

S. Tomás, S.T., IIº, IIº, quaestione 35º, Art. 3

ou,

Acedia, ou Acídia, (do grego, akedia), S.f. Abatimento do corpo e do espírito; moleza, frouxidão. “A inércia, a acídia e o desânimo intoxicam a existência e conduzem-nos involuntariamente ao desgosto e ao mal.” (A. Austregésilo, Obras Completas, VII, p. 129.) - Fonte: Novo Dicionário da Língua Portuguesa, (Aurélio), 2ª edição revista e aumentada, 27ª impressão.

Mais memória V (ou, Ruy Belo revisited)

AO LAVAR OS DENTES

Ao meio da tarde não sei porquê quando mais cadeiras se arrastam nos ladrilhos
e há mais pessoas no pequeno café isolado na vizinhança do mar
e eu a bem dizer já não sei que fazer das minhas duas mãos
e dou graças a deus por serem não mais que duas porque senão
é que não saberia mesmo o que fazer das mãos que tivesse
mais ou menos a meio da tarde quando a dois passos já há um centro de sombra e
há a minha pena de que haja vento e haja muitos dias à sombra
talvez por me faltar já a segurança do sol pouco antes imóvel
pairando no alto sobre a cal calma das casas sobre as folhas mais largas dos plátanos
reuno os papéis dispersos na mesa pago os cafés diversos que fui tomando
e dirijo-me com um profundo encolher de ombros apressadamente para casa
A penumbra interior da casa o facto de a essa hora não haver ninguém em casa
a convicção de que o sol já deve ter dado a volta a uma sombra redonda
rodeará a mesa junto à janela onde costumo escrever
a incidência muito particular da luz a meio da tarde eis aí outros
tantos factores susceptíveis de explicar pelo menos em parte
ou pelo menos na medida em que uma coisa se pode explicar
que eu caminhe para casa e pense que me devo sentir então bem em casa
Gosto de entrar e de mal entrar logo começar a lavar os dentes
e de os lavar como se ao lavá-los eu lavasse mais do que os dentes
ou fizesse outra coisa que não lavá-los pensando talvez numa coisa
qualquer que não existirá não só para além do espelho que tenho na frente
como nem sequer na vida que outrora também tinha quase toda na frente
e agora se perde quase toda nas minhas costas como coisa que nunca vi
ou não é visível no espelho ou pelo menos não vejo no espelho
porque a verdade é que nem mesmo vejo o espelho e só daria bem pelo espelho
no momento em que o tirassem e fosse tarde demais para eu dar bem por ele
As coisas em que penso não existirão muitas vezes talvez a não ser
no meu pensamento ou então o meu pensamento modifica-as dá-lhes possivelmente
uma forma diferente da que têm ou terão na realidade como por exemplo
aquela mulher que há tanto tempo amei que nem mesmo sei bem se a amei
e que a noite passada enquanto eu dormia e vivia essa vida intermédia dos sonhos
emergiu de repente sem mais nem menos como uma mulher irresistível para mim
para mais manietado pelo sono da superfície aquática do sonho
e sobressaiu entre as demais coisas porventura mais ou menos sonhadas
e deixou uma esteira indelével e nítida na minha memória como um
apelo cavo e prolongado mesmo depois de eu ter acordado esteira só dispersa a meia manhã
quando já outras pessoas e outros apelos quase por completo ocupavam
o território movimentado e confuso como uma feira da minha vida
da única vida que vivo e não é mais que estas coisas que faço
ao longo do dia nos campos no café ou principalmente aqui em casa
onde agora lavo os dentes como se nunca antes tivesse lavado os dentes
Lavo os dentes e descubro imensas coisas enquanto os lavo e decerto
lavaria muitas mais vezes os dentes ao dia se antecipadamente soubesse que descobriria
tantas coisas como agora descubro e não são os dentes nem as gengivas
nem qualquer destas coisas das quais aliás falo só por falar
através de palavras que deito para trás das costas como a vida que vivi
e se perderão para mim exactamente como essa vida palavras que nem mesmo conseguirei
ver no espelho onde aliás nada vejo a não ser as gengivas e os dentes
e a boca aberta de um homem que lava contente os dentes
ou pelo menos os lava como uma forma de estar à tarde sozinho em casa
e se sente bem sozinho e gosta moderadamente de estar em casa
pelo menos porque assim não está no café onde a essa hora
há mais pessoas e há o ruído de muitas cadeiras e onde se então estivesse
o mais certo seria sentir o desejo de se levantar e ir para casa
talvez porque já não sabe o que há-de fazer das mãos
ou porque o sol deu a volta à casa e deixou na sombra e no silêncio da tarde
a mesa redonda junto à janela onde costuma escrever
como se porventura escrever fosse mais alguma coisa do que escrever
ou porque pode lavar os dentes com a convicção estritamente suficiente
para lavar os dentes num gesto curto do braço curvo
em casa à tarde sozinho com uma tarde não sabe bem porquê
um pouco mais lá fora nos campos que ali dentro de casa
com a maior parte da vida já para trás das costas
com um certo número de palavras como a vida deitadas para trás das costas
e deitar palavras para trás das costas fosse alguma coisa como semear
meter em andamento através do campo lavrado a mão na serapilheira
dependurada no ombro esquerdo tirar ritmadamente um punhado de semente
e espalhar a semente ao vento nos sulcos antes abertos pela charrua
como se deitar palavras para trás das costas que é afinal o gesto de quem escreve
fosse pelo menos lavar os dentes. Não queiram saber quem sou
ou se porventura alguém por curiosidade ou forma de passar o tempo
quiser alguma vez saber quem sou que veja como lavo os dentes
e que estou tanto nessa lavagem dos dentes como toda a pessoa que lava os dentes
sozinha em casa a uma certa hora da tarde na casa em sombra

Ruy Belo

Mais memória IV (ou, Thomas Bernhard bilingue, risos...)

VIII

Schwarz ist das Gras, Vater,
schwarz ist die Erde,
schwarz sind meine Gedanken,
weil ich ein armer Mensch bin.
Schwarz ist die Erde,
schwarz ist der Sonnenuntergang,
schwarz ist meine Botschaft.
Schwarz ist der Rock, der mich nicht mehr verlassen
wird,
schwarz sind die Sterne meiner Ueberfahrt,
schwarz ist der Gedanke an mein Sterben.
Wo habe ich dieses Schwarz, dieses zungenfeindliche
Schwarz entdeckt?

*
SALMO VIII

Negro é o verde, Senhor,
negra é a terra,
negros são os meus pensamentos,
porque apenas um homem sou.
Negra é a terra,
negro é o crepúsculo,
negra é a minha voz.
Negro é o hábito que jamais
me abandonará,
negras são as estrelas da minha travessia,
negro quando penso na minha morte.
Onde descobri eu este negro, este negro
inimigo da linguagem?

(with kind permission from...)

Mais memória III

O inevitável

28
Nach Liebe suchen - und immer die Larven,
die verfluchten Larven finden und zerbrechen muessen!


Nietzsche, Ditirambos Dionisíacos (Edição Quintela)

Mais memória II

uma das primeiras imagens: um miúdo cigano aos pontapés a um carro velho que está em frente à janela da sala. Considero uma das coisas mais incompreensíveis...
A seguir passa alguém que andou por aqui a apanhar caracóis...
Os Dias das Olaias

Mais memória I

HIER ROLLTE GOLD...

Hier rollte Gold, hier spielte ich mit Gold -
in Wahrheit spielte Gold mit mir - ich rollte!

(Gedichte, Friedrich Nietzsche)