Começo pelo longínquo e, pelo menos para mim que sou quem, o que interessa, desconhecido Nepal, a tremenda quantidade de lugares de onde nos afirmam vir a amostra de deusa que nos ofereceram ontem à noite entre um sorriso e um café, um copo
com água desgraçadamente em plástico branco, a contrastar com o castanho-canela do dispensável pauzinho de canela também ele sujeito aos ditames da pós-modernidade,
não me apetece virgular quase nada, pensas, ou não te apetece quase nada virgular? Começo com um desconhecido
Molly Malone, início de outra perda de tempo em
dvd, puro divertimento consentido noutro sábado sem grande história, acompanhado de inevitáveis cigarros e água tónica fresca. Vinte e quatro. Fotografias e poias dementes, sobreviventes de uma evolução de Abril que ainda falam em anti-fascismo e ser de esquerda.
Vinte e quatro.
Nothing compares 2 U. A necessidade de todos aqueles encontros furtivos, nada disso regressou neste momento, tudo perdido num passado de partilhas, conversas intermináveis antes do sossego do sexo e sono intranquilo. Acordar quase sempre com bilhetinhos bonitos, uma paisagem de mar que viria a sufocar-me poucos anos mais tarde. Uma flor, um beijo escrito e uma promessa de fogoso reencontro. Que desculpas inventavas nessa altura para as tuas ausências? Não fazes a mínima ideia, mas deviam ser certeiras no regresso a casa ou ao telefone, quase sempre quando ela se ausentava por algumas semanas. Cerveja e haxixe e leituras, deambulações e fodas memoráveis. Um intervalo diferente na indiferença sonâmbula dos dias. Mais um dos teus casos sérios de paixão e escrita entre estações ferroviárias, uma certa ideia de mobilidade que tantas vezes agora ainda recordas com saudade. Como é um facto nunca te teres encarado por muito tempo num lugar, dois anos, o tempo de assentar e depois partir. A necessidade permanente de movimento que só por breves meses conseguias mitigar.
Sábado. Nada. Vinte e quatro, contos.